A Mão-de-Obra Criativa
Mais uma vez, boa noite a todos!
Como todo bom leitor-traça-livros, estou com mais uma novidade aqui: o livro “Gestão do Conhecimento”, da Harvard Business Review (nada como ser professor para poder pegar um bom livro e poder passar com ele um mês inteiro, podendo assim ler calmamente!
).
O livro traz uma leitura interessante sobre um tema já muito discutido (mas ainda pouco praticado): a necessidade de mudanças na gestão das empresas a fim de que o conhecimento seja tido como peça fundamental no processo de produtividade e controle da qualidade de produtos e serviços.
Ele aborda vários temas, cada qual escrito por um autor diferente, tentando assim reproduzir a melhor perspectiva para quem busca compreender como o bom uso da informação pode trazer bons resultados. Ah, a propósito, o livro possui vários estudos de casos de empresas que empregaram a boa informação como meio de gestão e fizeram sucesso.
Para não dizer que somente falei bem do livro, já vou avisando de antemão que para conseguir uma boa leitura deste livro deve-se fazê-la de forma bastante atenciosa para conseguir apreender as novas informações. E não vou negar que algumas coisas lá comentadas nós já ouvimos ou lemos em outros lugares, mas com certeza os estudos de caso são muito bons.
Mas meu objetivo aqui não é fazer uma resenha ou análise crÃtica do livro, mas sim falar sobre algo que esta leitura fez-me lembrar: a importância da mão-de-obra criativa.
Nos últimos anos, percebemos uma leve mudança no plano estratégico das empresas: antigamente, vÃamos isso em uma camada intermediária, a gerencial e, atualmente, com o advento de profissionais melhor preparados e com uma melhor visão do processo, podemos dizer que boa parte das estratégias são formadas agora na camada operacional, o tão famoso “chão-de-fábrica”.
Isso é bastante perceptÃvel: as empresas não procuram mais uma pessoa “para fazer o serviço”, elas procuram alguém que “compreenda o processo, que tenha iniciativa, que goste de inventar e que tenha amor por aquilo que faz”.
Infelizmente, isso acaba por aumentar ainda mais o abismo que há entre aqueles que sempre estão se atualizando e aqueles que nem mesmo gostam de aprender. E ninguém espere que essa exclusão acabe por
terminar de uma hora para outra, pois este é um processo irreversÃvel, uma vez que as empresas já perceberam a importância da informação em seus negócios.
Uma das maiores vantagens que vejo nisso é que ficou mais fácil a ascensão de alguém que está no chão-de-fábrica a nÃvel profissional. Além disso, a equipe passa a se sentir mais motivada, uma vez que vêem suas decisões e opiniões como importantes para o futuro da companhia.
E se há um lugar onde este processo seja bastante perceptÃvel é principalmente nas pequenas empresas da área de TI, onde geralmente todos os envolvidos possuem ao menos o nÃvel técnico de formação educacional e lidam cotidianamente com a informação como principal produto de seu trabalho.
Nessa perspectiva é onde me encaixo.
Atuando no desenvolvimento de jogos, faço parte do que chamamos de “chão-de-fábrica”, ou seja, aqueles que “fazem a coisa acontecer”. Mesmo atuando principalmente como programador (e em alguns projetos como game designer), muitas vezes minha opinião é importante a fim de se repensar possÃveis problemas bem como na busca por soluções.
Mas alguém poderia se perguntar: o que é afinal a mão-de-obra criativa? Como identificá-la?
Bem, não sou com certeza o mais apto para falar disso, mas mesmo assim vou expor aqui alguns pontos importantes na formação e identificação deste indivÃduo:
- Deve possuir um grande interesse naquilo que é importante para a empresa – é complicado manter e principalmente motivar um funcionário que não tenha afinidade com as atividades da companhia. É como dizem: “você pode não fazer tudo o que ama, mas deve amar tudo o que faz”;
- Deve gostar de se manter sempre atualizado – pior que a falta de informação é a falsa informação, o que levaria a companhia a tomar decisões baseada em informações desatualizadas, sendo assim ela sempre busca um profissional que encare a importância de manter-se atualizado não como uma obrigação / punição, mas sim como um desafio, um alimento para a sua mente;
- Deve estar apto a aprender com seus próprios erros e, principalmente, com os erros dos outros – errar é humano, mas não aprender com ele é burrice! Se você erra, mas aprende com o erro, você adquire um novo conhecimento que poderá ser proveitoso para a empresa;
- Deve possuir um perfil flexÃvel e gostar de discutir e ouvir idéias e opiniões – outro problema que muitas empresas enfrentam é quando empregados (quer sejam do chão-de-fábrica, quer sejam da média gerência), não gostam de ouvir e discutir idéias. A teimosia de alguns pode levar a empresa a perder boas oportunidades – o ideal é que cada qual saiba ouvir antes de querer ser ouvido;
Estes quatros “deves” devem ser suficientes para que você possa repensar sua postura como profissional criativo.
A propósito, após uma breve reflexão, responda: você hoje assume a postura criativa na empresa ou você ainda prefere adotar ainda o perfil do pobre trabalhador criado após a Revolução Francesa e que nunca sabe até quando terá seu emprego?

Alguma dúvida?