Educação Sexual: quando seu filho deve receber?
Mais um olá a todos! Gostaria de abrir espaço para uma das discussões mais evitadas/contornadas: quando seu filho deveria começar a receber educação sexual?
De um lado, os pais evitam comentar sobre o assunto, com medo de que isso incite os jovens a iniciarem sua vida sexual mais cedo. De outro, estão educadores e psicólogos, preocupados com o despreparo dos jovens quando iniciam sua vida sexual logo cedo, uma vez que não receberam aconselhamento e acompanhamento adequado. Bem, no meio desse campo, temos milhares de jovens que sofrem com a falta de acompanhamento, como meninas de 12 ou 13 anos já grávidas, meninos com menos de 16 anos e que já são pais e precisam trabalhar para manter uma famÃlia como se já fossem adultos, enfim, jovens que perdem muitas oportunidades porque cometeram erros quando pensavam estar indo tudo bem!
É bem verdade que a fase da adolescência é bastante problemática, não somente para a famÃlia, mas também para o próprio jovem: não são mais crianças, mas também não são adultos. Devem preparar-se para um monte de responsabilidades e deveres. Devem escolher opções que farão muita diferença em suas vidas em alguns anos, mas que muitas vezes não compreendem a importância no “hoje”. Como entender por que certas atitudes permitidas aos adultos são recriminadas quando desempenhadas por jovens, se tanto cobramos-lhes posturas e atitudes de adultos?
E, mais um dos grandes temores de pais e educadores: se não são eles quem estão educando os jovens quanto à maturidade sexual, quem estará?
Nossos jovens hoje baseiam-se e muito nas experiências de amigos, naquilo que rola nas famosas “rodas de amigos”. Mas será que o que lá é discutido é realmente correto? É bem verdade que muitos gostam de “fazer o errado” para dizer que estão se aventurando. É uma pena que, quando tudo der errado, eles mudarão completamente suas vidas, e esta será uma mudança permanente e que os fará pensar sempre nisso.
Riscos de doenças sexualmente transmissÃveis, filhos, pedofilia, abortos e respeito próprio são algumas das coisas que deveriam ser ensinadas a nossos jovens. E a pergunta fundamental é: quando e como?
Acredito que a melhor resposta foi encontrada por ONGs Britânicas que, em 2008, defenderam a introdução da educação sexual nas escolas e na vida das crianças a partir dos quatro anos de idade.
Muitos podem considerar isso um exagero, mas acredito que não: no mundo em que vivemos hoje, onde as doenças sexualmente transmissÃveis espalham-se cada vez mais, pedófilos estão à espreita atacando crianças inocentes, quando você irá começar a ensinar seu filho sobre tudo isso? Prevenir sempre foi melhor do que remediar… e continuará sendo!
Claro, não se deve abordar educação sexual com uma criança de quatro anos do mesmo jeito que com um adolescente de 16 anos de idade. E é por isso que é tão importante frisar que “Educação sexual não é algo que se discute uma única vez e se espera que esteja tudo bem! É necessário que os jovens tenham acompanhamento contÃnuo, desde logo cedo, até que estejam realmente preparados para enfrentar as consequências dos seus atos”.
E a educação sexual deve ser levada a sério, feita por profissional de verdade! Um exemplo aqui que posso citar é sobre como a educação sexual era tratada pela escola em que estudei quando pré-adolescente e adolescente.
Em uma das vezes, ela levou todos a um grande auditório, onde uma profissional de verdade (psicóloga, se bem me lembro) falou bastante sobre o assunto e, ao final, todos poderiam enviar as perguntas em papel. Mesmo com a discrição de enviar em papel, diga-me: quem se atrevia a perguntar algo sério se estivesse com um colega chato de lado? Para que, para servir de gozação (bem, eu, por sorte, não me importava muito com isso e perguntei do mesmo jeito ^^ )? Em outras palavras, essa era uma tentativa bastante frustrada de responder às nossas dúvidas.
Em outro momento, fora organizada uma excursão até a casa de praia das freiras (eu comentei que o colégio era dirigido por religiosas?) e quem ministrou a aula de educação sexual foi… uma freira. Tudo bem, eu sei que algumas pessoas conseguem falar bem à vontade, mas ela discutia toda a sua aula sobre educação sexual totalmente, completamente focada em “como Papai do céu não gostaria de nos ver fazendo isso”. Falando sério: você acha que elas conseguiriam convencer jovens de 13 a 17 anos (na verdade, de 15 a 17, só eu tinha 13 na turma
) sobre os riscos que há em não saber prevenir-se usando tais palavras?
Em outras palavras, enquanto educação sexual não for levada a sério nas escolas, enquanto pais preferirem evitar comentar o assunto logo cedo, nossos filhos estão sendo “educados” por seus amigos sobre isso. O que explica o crescimento do número de jovens grávidas muito cedo, disseminação de doenças sexualmente transmissÃveis e tantos outros problemas ligados ao assunto.
Com certeza, não sou a melhor pessoa para falar sobre educação sexual, pois não tenho formação alguma no assunto, mas sou pai também e cuidarei de educá-lo sobre o assunto logo cedo, sobre os riscos que há e a importância da maturidade para saber agir com responsabilidade.
Tenho 23 anos de idade e não tenho vergonha alguma de dizer que minha vida sexual somente começou realmente após os 18 anos de idade - e daà que os “amigos” (que não são amigos) vão zombar disso? Pior seria se meu filho tivesse vindo ao mundo quando eu tinha 15 ou 16 anos - sem emprego, sem estudos, sem nada.
Meu filho nasceu ano passado, em agosto, quando já sou graduado como cientista da computação, tenho um emprego e uma certa estabilidade devido ao fato de ter muita coragem para enfrentar a vida e saber correr atrás do que quero. Pergunto agora àqueles que zombariam de minha afirmação: não saiu tudo bem melhor assim?
Eduque seus filhos e filhas: eles precisam saber que ninguém poderá proibi-los de ter uma vida sexual logo cedo se assim quiserem, mas será que eles estão prontos para assumir as responsabilidades e riscos que isso envolve?
Bem, do Giga Mundo para o mundo todo, mais um apelo em prol de uma educação sexual no Brasil de maior qualidade para os nossos jovens.


March 12th, 2009 at 6:02 am
Olá Christiano,
Gostei muito do seu artigo.
A educação sexual é um grande tabu, assim como a vida sexual do ser humano mesmo.
A visão da igreja, dos conservadores e etc, atrapalham em muito o desenvolvimento saudável das crianças e dos jovens.
Concordo que quanto mais cedo as crianças começarem a descobrir o próprio corpo, mais respeito por si mesmas ela terão.
Não é a toa que as crianças são egocêntricas, aproveitar esta fase que vai até os 6 ou 7 anos, dependendo de cada uma, em que ela costuma olhar somente pra si mesma é a hora certa de aprender.
Porém é preciso estimular a descoberta de si e não o prazer ou o sexo.
Por isso é preciso muita leitura e estudo individual pra quem tem a vontade de colaborar numa educção saudável.
Gde abraço!
March 12th, 2009 at 9:32 am
Olá, Cristiane, tudo bem?
Fico muito feliz que tenha gostado do artigo! Acho que você iria gostar de minhas aulas - apesar de ser, atualmente, professor na área de computação, sempre tomo cinco minutos para falar sobre assuntos como finanças, empreendedorismo, educação e saúde com meus alunos! Quebra o “blá-blá-blá” que à s vezes as aulas se tornam e ajuda-os a ter uma nova visão sobre esses assuntos.
Educação sexual é algo realmente sério e não me admira que tenhamos tantos problemas quanto a ele - se você reparar bem, o texto foi publicado em 11 de janeiro, mas você é a primeira pessoa a fazer um comentário sobre o mesmo!
Infelizmente a população não dá a devida importância e obviamente as “autoridades” fazem somente aquilo que lhes é de seu interesse ou o famoso “teatro de bonecos”, quando fingem se importar com um determinado assunto somente porque sabe que a população espera alguma posição deles. E como este assunto não é do interesse de nenhum dos lados, continuamos com o problema sem que ninguém se pronuncie ou busque medidas realmente eficazes.
O que me tranquiliza é saber que sempre existirão pessoas como você que buscam informar-se sobre o assunto, pois a informação é a melhor arma de que dispomos para mudar as condições da sociedade em que vivemos.
Um abraço e espero que continue nos visitando!